Domingo, 25 de Fevereiro de 2007

"Tudo o que cessa é morte"

E aqui fica então um belo poema da autoria de Ricardo Reis, que é um espelho da sua alma e dos seus sentimentos, tanto pela temática da morte aqui estampada, como pelo estoicismo e epicurismo patentes nos versos. Para mais, de realçar que o fatalismo deste heterónimo  obriga-o a viver o presente, esquecendo o passado e o futuro, ou seja, o "Carpe Diem"



Tudo o que cessa, é morte, e a morte é nossa
Se é para nós que cessa. Aquele arbusto
Fenece, e vai com ele
Parte da minha vida.
Em tudo quanto olhei fiquei em parte,
Nem distingue a memória
Do que vi do que fui.

                                                                           

                                                                Ricardo Reis



Fonte: MATOS, Paulo (Nita). Obra poética de Ricardo Reis. Acedido em: 25, Fevereiro, 2007. nEscritas:
http://nescritas.nletras.com/fpessoa/ricreis/archives/1005_04.html
publicado por H-Rally às 16:23
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Sábado, 24 de Fevereiro de 2007

XXIII - "O Meu Olhar" - 23º poema da obra "O Guardador de Rebanhos"

Devem ter reparado, caros leitores, que durante estas semanas mostrámo-vos alguns poemas, tanto de Fernando Pessoa - Ortónimo, como do seu heterónimo Álvaro de Campos, poemas estes que nos chamaram mais a atenção devido ao seu conteúdo extremamente ambíguo, mas que constituem exemplos perfeitos das temáticas abordadas, tanto do Ortónimo como de Campos. Os poemas em questão são "Autopsicografia" e "Depus a Máscara". Contudo  temo-nos esquecido de Alberto Caeiro e Ricardo Reis, dos quais ainda não publicámos nenhum poema... Até hoje! E como nenhum heterónimo é superior a outro na nossa opinião aqui fica um dos poemas  que compoem  "O guardador de Rebanhos", e que ilustra perfeitamente a forma de viver  de Alberto Caeiro.

     O meu olhar azul como o céu 
     É calmo como a água ao sol. 
     É assim, azul e calmo,
     Porque não interroga nem se espanta ...

     Se eu interrogasse e me espantasse
     Não nasciam flores novas nos prados
     Nem mudaria qualquer cousa no sol de modo a ele ficar mais belo... 
     (Mesmo se nascessem flores novas no prado
     E se o sol mudasse para mais belo, 
     Eu sentiria menos flores no prado 
     E achava mais feio o sol ...
     Porque tudo é como é e assim é que é, 
     E eu aceito, e nem agradeço,
     Para não parecer que penso nisso...)

                                                                                                Alberto Caeiro

Fonte: AGULHA, Revista. Jornal de Poesia. Acedido em: 24, Fevereiro, 2007. Alberto Caeiro:
http://nescritas.nletras.com/fpessoa/ricreis/archives/1005_04.html
sinto-me:
publicado por H-Rally às 16:08
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