Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007

Os nossos poemas - Alberto Caeiro

Os meus pensamentos resumem-se a sensações,

Penso com as mãos e com os pés,

E com o nariz e a boca,

E com os olhos e os ouvidos.

 

O Mundo não se criou para o pensarmos,

Mas sim para ser observado.

E sei vê-lo, pois vejo-o sem pensar,

E sem pensar consigo sentir

Consigo sentir-me parte dele.

 

Sinto-me a florir a cada momento,

Pronto a enfrentar aquilo que o Mundo me trouxer.

Sou como poeira,

Navegando ao sabor do vento,

Sem rumo, à deriva…

E sinto-me assim

A cada dia que passa,

Sinto-me feliz!

 

                                H-Rally

Publicamos, hoje, um poema tipicamente de Alberto Caeiro, o argonauta das "sensações verdadeiras".

Note-se, neste poema, a grande quantidade de verbos sensitivos, evidenciando a importância do sentir para Caeiro. É, ainda, apresentado a recusa do pensar para este heterónimo, afirmando que "Os meus pensamentos resumem-se a sensações" e "O Mundo não se criou para o pensarmos, / Mas sim para ser observado. ".

É, indubitavelmente, um poema com características daquele que foi / é O Mestre.

publicado por H-Rally às 23:26
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Sábado, 24 de Fevereiro de 2007

XXIII - "O Meu Olhar" - 23º poema da obra "O Guardador de Rebanhos"

Devem ter reparado, caros leitores, que durante estas semanas mostrámo-vos alguns poemas, tanto de Fernando Pessoa - Ortónimo, como do seu heterónimo Álvaro de Campos, poemas estes que nos chamaram mais a atenção devido ao seu conteúdo extremamente ambíguo, mas que constituem exemplos perfeitos das temáticas abordadas, tanto do Ortónimo como de Campos. Os poemas em questão são "Autopsicografia" e "Depus a Máscara". Contudo  temo-nos esquecido de Alberto Caeiro e Ricardo Reis, dos quais ainda não publicámos nenhum poema... Até hoje! E como nenhum heterónimo é superior a outro na nossa opinião aqui fica um dos poemas  que compoem  "O guardador de Rebanhos", e que ilustra perfeitamente a forma de viver  de Alberto Caeiro.

     O meu olhar azul como o céu 
     É calmo como a água ao sol. 
     É assim, azul e calmo,
     Porque não interroga nem se espanta ...

     Se eu interrogasse e me espantasse
     Não nasciam flores novas nos prados
     Nem mudaria qualquer cousa no sol de modo a ele ficar mais belo... 
     (Mesmo se nascessem flores novas no prado
     E se o sol mudasse para mais belo, 
     Eu sentiria menos flores no prado 
     E achava mais feio o sol ...
     Porque tudo é como é e assim é que é, 
     E eu aceito, e nem agradeço,
     Para não parecer que penso nisso...)

                                                                                                Alberto Caeiro

Fonte: AGULHA, Revista. Jornal de Poesia. Acedido em: 24, Fevereiro, 2007. Alberto Caeiro:
http://nescritas.nletras.com/fpessoa/ricreis/archives/1005_04.html
sinto-me:
publicado por H-Rally às 16:08
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