Segunda-feira, 5 de Março de 2007

Descansa em paz

E é com este post que chegamos ao fim do blog.

O concurso Sapo Challenge II chega hoje ao seu termo e a nossa tarefa foi cumprida. Dedicámo-nos de corpo e alma a este blog ao longo das últimas 4 (quatro) semanas, sempre certos de que estávamos a fazer o melhor possível.

Seja qual for o veredicto final, para nós esta experiência já foi muito gratificante e aprendemos e divertimo-nos muito ao longo da mesma.

Terminamos então com a nossa foto, junto do local onde jaz agora o corpo de Fernando Pessoa: o Mosteiro dos Jerónimos.


Da esquerda para a direita: João Mira, João Brissos, Pedro Azevedo, Rui Guerreiro, António Lopes.

Até sempre!
publicado por H-Rally às 02:51
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Domingo, 4 de Março de 2007

Publicidade - Loja de Poetas

Como todos os blogs que se prezem, este também tem direito ao seu espaço publicitário. Não há "Adsense", mas há vídeo. Este:



Nota: Devido ao elevado número de indivíduos necessários para a realização deste utópico anúncio publicitário, contámos com a ajuda de dois convidados especiais: Daniel Casteleiro (Vendedor de poetas) e Francisco Matos (Operador de câmara). A eles endereçamos o nosso profundo e sincero agradecimento.
publicado por H-Rally às 22:58
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Sábado, 3 de Março de 2007

Cartoon

H-Rally
publicado por H-Rally às 14:51
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Sexta-feira, 2 de Março de 2007

Os nossos poemas - Álvaro de Campos

                        Está escuro,
                        Está muito escuro aqui.
                        Sinto-me inútil aqui dentro, fechado.
                        Mas é aqui que me sinto.
                        Na escuridão…
                        Na solidão…

                        Está escuro,
                        Mas já vi luz! Em tempos…
                        Perdi-a! Não sei como, nem porquê.
                        Dissipou-se, qual fogo em lenha seca!
                        Um motor sem vida, sem som…
                        Naquela altura eu via, ó se via!
                        Talvez tenha perdido vontade de ver.

                        Está escuro,
                        Mas escuto um tic-tac constante,
                        Lá longe!
                        Que me apazigua e me faz cá estar
                        Indulgentemente,
                        Adocicado por tais sons.

                        Está escuro,
                        Não há luz lá fora,
                        Ou se a há, eu não a vejo.
                        Usurparam-ma,
                        Como se de um cancro se tratasse,
                        Como se a um Inferno se equiparasse

                        Está escuro,
                        Mas ainda há vida!
                        E que vida!
                        Oiço o doce rolamento das caldeiras
                        E tenho esperança!
                        Talvez um dia…

                        Está escuro,
                        Está muito escuro aqui.

H-Rally

Terminamos então com um poema  à imagem de Álvaro de Campos, no qual podemos encontrar características das suas 3 (três) fases: Decadentista, Sensacionista (Futurista) e Intimista.
Podemos encontrar neste poema versos que indiciam o tédio de viver e abulia, naturais na fase Decadentista do heterónimo, mostrando-se este conformado com a "escuridão" na qual vive. Já quando evidencia a vontade da ruptura com o presente, da procura por uma nova "luz", associando sempre esta ruptura às máquinas, estamos perante a sua segunda fase, a Sensacionista. Por fim, temos a sua última fase, a Intimista, na qual ele revela as suas saudades da infância, a altura em que "via", e dá a conhecer o seu lado mais céptico.

Álvaro de Campos era assim, possuidor de uma escrita aparentemente incoerente, mas que era, na verdade, inebriante e descomplexada.
publicado por H-Rally às 00:07
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Quinta-feira, 1 de Março de 2007

Os nossos poemas - Ricardo Reis

                           

                            Ah… o derradeiro Fado…

                            A doce brisa da existência inebria-me;

                            Suave frescura sob os meus pés;

                            Da alta erva verdejante;

                            A maior das sublimes viagens;

                            Que tudo leva…

                            Como se de o sopro de Neptuno se tratasse;

                            E a mim… No Estígio Rio.

 

                            Imutáveis passam os mares;

                            Perenes as grandes montanhas;

                            Inconscientes o destino rodeia;

                            Tágides e Hermes.

                            O caminho cerra-se;

                            E a mim… no Estígio Rio.

 

                            Este é o dia

                            Pelo qual eu sou

                            Por onde existo

                            Lentamente, Inexoravelmente,

                            O negro vácuo atrai;

                            E a mim… no Estígio Rio.

 

                            De que serve então,

                            Matéria, Fracasso Sucesso Amor

                            Nada sendo mais que

                            Luz no Presente

                            Trevas no Passado,

                            Nada no Futuro

                            E a mim… no Estígio Rio

 

                            À beira do rio eu escrevo,

                            Sabendo que é este o momento,

                            Que não se repete,

                            Viver pelas Horas, Minutos, Segundos,

                            É esta lei, por isso escrevo

                            Outono que não pára…

                            Inverno que não espera…

                            Por mim… no Estígio Rio.


 H-Rally

 

É hoje chegada a vez de Ricardo Reis, o estóico-epicurista, e defensor do Carpe Diem.

É bem visível neste poema a clara aceitação do destino, a Morte, à qual ninguém pode escapar, aqui traduzida pela repetição do verso “E a mim… No Estígio Rio”. Para além disso, neste poema é, também, tratada de uma forma extensiva, a filosofia de vida de Ricardo Reis, a importância do momento presente, descurando quer passado quer futuro. “É a Hora…” Deve viver-se o momento presente não esquecendo que “O Fado a todos nós chama”.

Esperamos que este poema corresponda às expectativas dos nossos visitantes, e que se assemelhe àqueles escritos pelo discípulo fatalista do “Mestre”.

 

publicado por H-Rally às 00:06
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