Domingo, 20 de Maio de 2007

H-Rally na semi-final do Sapo Challenge 2007.

O espaço da antiga FIL em Lisboa serviu de palco para a divulgação dos nomes dos dez “Clãs” finalistas da fase de apuramento distrital.

Para além de nós, em representação do distrito de Beja, foram também apurados os “Clãs” dos distritos de Aveiro, Bragança, Castelo Branco, Guarda, Leiria, Lisboa, Porto, Santarém e Viseu. Neste contexto, à Escola Secundária c/3º ciclo Diogo de Gouveia foi atribuído o título de “Escola do Futuro”, a qual irá beneficiar de apetrechamento tecnológico financiado pela Portugal Telecom.

O Sapo Challenge irá levar a equipa que se sagrar vencedora deste desafio ao “mundo da criação digital” nos Estados Unidos da América.



Da esquerda para a direita: João Brissos, Rui Guerreiro, João Mira, Pedro Azevedo e António Lopes.


A representação da nossa escola no Sapo Challenge. Clã H-Rally, Professores, Pais e sua claque.

publicado por H-Rally às 18:30
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Segunda-feira, 5 de Março de 2007

Descansa em paz

E é com este post que chegamos ao fim do blog.

O concurso Sapo Challenge II chega hoje ao seu termo e a nossa tarefa foi cumprida. Dedicámo-nos de corpo e alma a este blog ao longo das últimas 4 (quatro) semanas, sempre certos de que estávamos a fazer o melhor possível.

Seja qual for o veredicto final, para nós esta experiência já foi muito gratificante e aprendemos e divertimo-nos muito ao longo da mesma.

Terminamos então com a nossa foto, junto do local onde jaz agora o corpo de Fernando Pessoa: o Mosteiro dos Jerónimos.


Da esquerda para a direita: João Mira, João Brissos, Pedro Azevedo, Rui Guerreiro, António Lopes.

Até sempre!
publicado por H-Rally às 02:51
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Domingo, 4 de Março de 2007

Publicidade - Loja de Poetas

Como todos os blogs que se prezem, este também tem direito ao seu espaço publicitário. Não há "Adsense", mas há vídeo. Este:



Nota: Devido ao elevado número de indivíduos necessários para a realização deste utópico anúncio publicitário, contámos com a ajuda de dois convidados especiais: Daniel Casteleiro (Vendedor de poetas) e Francisco Matos (Operador de câmara). A eles endereçamos o nosso profundo e sincero agradecimento.
publicado por H-Rally às 22:58
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Sexta-feira, 2 de Março de 2007

Os nossos poemas - Álvaro de Campos

                        Está escuro,
                        Está muito escuro aqui.
                        Sinto-me inútil aqui dentro, fechado.
                        Mas é aqui que me sinto.
                        Na escuridão…
                        Na solidão…

                        Está escuro,
                        Mas já vi luz! Em tempos…
                        Perdi-a! Não sei como, nem porquê.
                        Dissipou-se, qual fogo em lenha seca!
                        Um motor sem vida, sem som…
                        Naquela altura eu via, ó se via!
                        Talvez tenha perdido vontade de ver.

                        Está escuro,
                        Mas escuto um tic-tac constante,
                        Lá longe!
                        Que me apazigua e me faz cá estar
                        Indulgentemente,
                        Adocicado por tais sons.

                        Está escuro,
                        Não há luz lá fora,
                        Ou se a há, eu não a vejo.
                        Usurparam-ma,
                        Como se de um cancro se tratasse,
                        Como se a um Inferno se equiparasse

                        Está escuro,
                        Mas ainda há vida!
                        E que vida!
                        Oiço o doce rolamento das caldeiras
                        E tenho esperança!
                        Talvez um dia…

                        Está escuro,
                        Está muito escuro aqui.

H-Rally

Terminamos então com um poema  à imagem de Álvaro de Campos, no qual podemos encontrar características das suas 3 (três) fases: Decadentista, Sensacionista (Futurista) e Intimista.
Podemos encontrar neste poema versos que indiciam o tédio de viver e abulia, naturais na fase Decadentista do heterónimo, mostrando-se este conformado com a "escuridão" na qual vive. Já quando evidencia a vontade da ruptura com o presente, da procura por uma nova "luz", associando sempre esta ruptura às máquinas, estamos perante a sua segunda fase, a Sensacionista. Por fim, temos a sua última fase, a Intimista, na qual ele revela as suas saudades da infância, a altura em que "via", e dá a conhecer o seu lado mais céptico.

Álvaro de Campos era assim, possuidor de uma escrita aparentemente incoerente, mas que era, na verdade, inebriante e descomplexada.
publicado por H-Rally às 00:07
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Quinta-feira, 1 de Março de 2007

Os nossos poemas - Ricardo Reis

                           

                            Ah… o derradeiro Fado…

                            A doce brisa da existência inebria-me;

                            Suave frescura sob os meus pés;

                            Da alta erva verdejante;

                            A maior das sublimes viagens;

                            Que tudo leva…

                            Como se de o sopro de Neptuno se tratasse;

                            E a mim… No Estígio Rio.

 

                            Imutáveis passam os mares;

                            Perenes as grandes montanhas;

                            Inconscientes o destino rodeia;

                            Tágides e Hermes.

                            O caminho cerra-se;

                            E a mim… no Estígio Rio.

 

                            Este é o dia

                            Pelo qual eu sou

                            Por onde existo

                            Lentamente, Inexoravelmente,

                            O negro vácuo atrai;

                            E a mim… no Estígio Rio.

 

                            De que serve então,

                            Matéria, Fracasso Sucesso Amor

                            Nada sendo mais que

                            Luz no Presente

                            Trevas no Passado,

                            Nada no Futuro

                            E a mim… no Estígio Rio

 

                            À beira do rio eu escrevo,

                            Sabendo que é este o momento,

                            Que não se repete,

                            Viver pelas Horas, Minutos, Segundos,

                            É esta lei, por isso escrevo

                            Outono que não pára…

                            Inverno que não espera…

                            Por mim… no Estígio Rio.


 H-Rally

 

É hoje chegada a vez de Ricardo Reis, o estóico-epicurista, e defensor do Carpe Diem.

É bem visível neste poema a clara aceitação do destino, a Morte, à qual ninguém pode escapar, aqui traduzida pela repetição do verso “E a mim… No Estígio Rio”. Para além disso, neste poema é, também, tratada de uma forma extensiva, a filosofia de vida de Ricardo Reis, a importância do momento presente, descurando quer passado quer futuro. “É a Hora…” Deve viver-se o momento presente não esquecendo que “O Fado a todos nós chama”.

Esperamos que este poema corresponda às expectativas dos nossos visitantes, e que se assemelhe àqueles escritos pelo discípulo fatalista do “Mestre”.

 

publicado por H-Rally às 00:06
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Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007

Os nossos poemas - Alberto Caeiro

Os meus pensamentos resumem-se a sensações,

Penso com as mãos e com os pés,

E com o nariz e a boca,

E com os olhos e os ouvidos.

 

O Mundo não se criou para o pensarmos,

Mas sim para ser observado.

E sei vê-lo, pois vejo-o sem pensar,

E sem pensar consigo sentir

Consigo sentir-me parte dele.

 

Sinto-me a florir a cada momento,

Pronto a enfrentar aquilo que o Mundo me trouxer.

Sou como poeira,

Navegando ao sabor do vento,

Sem rumo, à deriva…

E sinto-me assim

A cada dia que passa,

Sinto-me feliz!

 

                                H-Rally

Publicamos, hoje, um poema tipicamente de Alberto Caeiro, o argonauta das "sensações verdadeiras".

Note-se, neste poema, a grande quantidade de verbos sensitivos, evidenciando a importância do sentir para Caeiro. É, ainda, apresentado a recusa do pensar para este heterónimo, afirmando que "Os meus pensamentos resumem-se a sensações" e "O Mundo não se criou para o pensarmos, / Mas sim para ser observado. ".

É, indubitavelmente, um poema com características daquele que foi / é O Mestre.

publicado por H-Rally às 23:26
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Os nossos poemas - Fernando Pessoa

Estrelas do meu ser
neste corpo nublado.
Anseio por te ver,
noite de céu pintado.

Sou um todo que sou eu,
Estrangeiro é o que sou.
Nada sou que seja meu,
eterna alma que mudou.

Estranho o coração,
que meu não pode ser.
Evita a emoção,
com medo de sofrer.

Vive com uma tal calma,
Sem alegria ou tristeza.
Somente tem na sua alma,
o Fado como certeza.

Contempla, o meu olhar,
a sua imensa beleza.
Desfruta sem pensar,
da simples natureza.
Ama as aves a cantar
doce e melodicamente,
e o cabelo a ondular
ao som duma brisa quente.

Ferve-me na razão,
um tédio de viver.
Nada almeja senão,
pelo ópio esquecer.

Invade-me o pensamento,
uma estranha morbidez.
O futuro é sentimento
e a máquina viuvez.

O que serei eu então,
numa noite iluminada?
Que estrelas brilharão,
nesta alma sempre alterada?


                        H-Rally



Para uma melhor compreensão deste poema apresentamos, em baixo, uma pequena explicação.

À primeira vista, podemos afirmar que este poema não tem características exclusívas de Fernando Pessoa ortónimo, uma vez que estão descritas temáticas dos três grandes heterónimos do poeta.

Note-se que, nas duas primeiras estrofes, está presente a temática do Eu fragmentado, de ortónimo. É precisamente essa multiplicidade que conduz o resto do poema. Nele, o sujeito poético associa uma parte do seu corpo a cada um dos heterónimos (Coração a Ricardo Reis; Olhar a Alberto Caeiro; e Pensar a Álvaro de Campos).

De uma forma geral, o poema pretende mostrar a multiplicidade do Eu, que eternamente acompanha a poesia de ortónimo. Ao atribuír partes de si próprio aos heterónimos, o sujeito poético demonstra toda a influência que estes exerciam em Fernando Pessoa.
publicado por H-Rally às 00:30
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Sábado, 24 de Fevereiro de 2007

Fernando Pessoa - Para além da obra - O Texto

Era um ritual. Todos os dias, Fernando Pessoa caminhava até ao Martinho da Arcada, à Brasileira, ou outro café, onde se sentava a beber e a conversar com os seus amigos. E, por vezes, contrariando a monotonia de um ritual, esse percurso revelava-se uma caixa de surpresas. Ora perdia-se entre uns beijinhos com Ophélia, ora corria, aterrorizado por uma trovoada, até ao café mais próximo.

 
Escreveu muito, escrevia sempre! Mas não foi só isso que Fernando Pessoa fez durante a sua vida… A realidade é que por detrás do actualmente considerado melhor poeta português do século XX, encontramos uma pessoa com não só um conhecimento e cultura invejável, mas também, é claro, vícios, medos e as suas loucuras.



Genialidade ou Loucura?

Ano de 1913. Após ter estado na Baixa de Lisboa, Fernando Pessoa caminhava até à casa onde vivia com a Tia Anica e que, na altura, se situava na Rua de Passos Manuel. Tal era a sua “assaz infantil mas terrivelmente torturadora fobia das trovoadas”, como disse uma vez o poeta, que, na iminência de uma trovoada, Fernando Pessoa “[atira-se] para casa com o andar mais próximo do correr que [pôde] achar”. Nessa tarde, eram poucos os carros na rua, pelo que a única solução era mesmo andar até casa. Mas o certo é que a impendente trovoada nunca foi mais do que uns “pingos graves, quentes e espaçados”, leia-se, chuva. Fernando Pessoa não só chegou são e salvo a casa, como ainda conseguiu realizar a proeza de escrever um soneto pelo caminho! Imagine-se o poeta a paços largos até à sua casa, perturbado e constrangido pela situação, a escrever um soneto “calmo” e “suave”, como afirmou numa carta a Mário Beirão.

 

Mário Saraiva, em O Caso Clínico de Fernando Pessoa, afirma ainda que “ao ouvir o som das trovoadas, Pessoa escondia-se debaixo das mesas do Café Martinho da Arcada”. Mas a sua “loucura” não fica por aqui…

 

Em 1934, Cecília Meireles, uma poeta do século XX, afirma ter esperado, em vão, por Fernando Pessoa na Brasileira do Chiado. O poeta, sem quaisquer delongas, justifica a sua ausência, afirmando que segundo o seu horóscopo, os dois não se deviam encontrar naquele dia!

 

Para além disso, Pessoa não gostava do ganido dos cães. Era supersticioso ao ponto de pensar que havia algo no simples acto de ganir que não agoirava nada de bom. E mais: era, inclusive, supersticioso em relação às datas de nascimento!


Mas, ao que parece, Fernando Pessoa também tinha uma vida amorosa! Será que esta era igualmente perturbada pelas suas superstições?


O seu “bebezinho”

Era. Nem mesmo na sua relação com a sua eterna namorada, Ophélia Queiróz, Fernando Pessoa deixava de lado a sua excessiva credulidade. Ophélia nasceu a 14 de Junho e Fernando Pessoa a 15 do mesmo mês. Tal não era a sua superstição, que o poeta regozijava-se com o facto de não terem nascido no mesmo dia pois, segundo afirmava, nos casos em que assim era, os casais não eram felizes. Hoje, crê-se que se referia ao casamento entre o rei D. Carlos e a rainha D. Amélia.


À parte disso, Fernando Pessoa era deveras apaixonado por esta personagem feminina. Fazer-lhe caretas e atirar-lhe beijinhos era o tipo de ritual brincalhão e romântico que se tornou uma rotina entre eles. Por vezes, contudo, demonstrava o seu amor de uma maneira pouco ortodoxa, mas sempre cheia de simbolismos.

 

Imagine-se Fernando Pessoa e Ophélia, na Calçada da Estrela, perto do Rato, em Lisboa. O poeta fita a sua namorada e diz-lhe: “O teu amor por mim é tão grande como aquela árvore”, apontando para uma árvore que, efectivamente, nem existia. Ophélia, fingindo que não percebia, responde-lhe: “Mas não está ali árvore nenhuma!”, ao qual Pessoa replica: “Por isso mesmo”.

 

Porém, naquela altura, não era fácil o casal estar sozinho. De modo que, quando se encontravam, era frequente apanharem o eléctrico para Poço Bispo, ou então o comboio de Santos até ao Cais do Sodré, uma vez que eram percursos de longa duração. O certo é que Fernando Pessoa aproveitava este facto para prolongar o seu tempo com “Ophélinha”.

 

Sim, é verdade. Fernando Pessoa tratava sempre, ou quase sempre, Ophélia por diminutivos como “Ophélinha” ou “Meu bebezinho”. Estas designações carinhosas eram muito frequentes nas suas cartas, mesmo se o conteúdo geral destas fosse de índole um pouco mais desagradável. Todavia, quando se encontrava pessoalmente com a sua amada, ora se tratavam por “tu”, ora por “você”.

 

Note-se “a sua amada” e não “a sua namorada”. Segundo consta, Fernando Pessoa pedia a Ophélia para não dizer que “namoravam”, mas antes que dissesse que se “amavam”. Era um amor tal que, por vezes, os ciúmes do poeta vinham à tona.

 

Certo dia, Fernando Pessoa em conversa com Ophélia disse-lhe: “Hoje pela primeira vez tive ciúmes dos olhos do meu primo”. Ao ouvir aquilo, Ophélia perguntou-lhe, simplesmente: “Porquê?”. Ao qual ele respondeu: “Porque eles viram-te e eu não te vi”.

 

Mas afinal, o que pensava Ophélia de Fernando Pessoa? Para ela o poeta era, nada mais, nada menos, do que uma pessoa muito especial, nomeadamente pela forma de ser, sentir, vestir, e também pela sua sensibilidade, timidez e excentricidade.

 

Verdade seja dita, Fernando Pessoa não vivia isolado do mundo, muito pelo contrário. Grande parte da sua vida foi vivida em Lisboa, a capital do seu país. Como tal, as pessoas, a sociedade, eram algo que rodeava inexoravelmente a vida do poeta. Como reagia ele a isso? Quais eram os seus comportamentos?


Relação com a sociedade

Fernando Pessoa tinha uma relação bastante invulgar, para a época, com a sociedade que o rodeava: ele não se importava que as pessoas o julgassem, o discriminassem, o tomassem por bêbado ou mesmo louco. Ele próprio, inclusive, provocava um pouco as pessoas com situações bastante caricatas.

 

Fernando Pessoa chegava mesmo a gozar com as outras pessoas, sem se importar com as suas possíveis reacções. Algumas vezes, punha-se a olhar para o chão, em plena Baixa Lisboeta, como se estivesse à procura de algo. As pessoas iam passando e, ao vê-lo a olhar para baixo, olhavam também e ficavam ali a ver se viam alguma coisa. Quando estivessem bastantes pessoas à sua volta a olhar para o chão, Fernando Pessoa levantava o olhar e continuava a andar como se nada se tivesse passado. Mas não se ficava por aí…

 

Pessoa costumava fazer-se de bêbado pelas ruas, fazendo lembrar o Vasco Santana em “O Pátio das Cantigas”, a falar e a ir contra os candeeiros. A sua tia, ao ver a figura do seu sobrinho, ficava bastante constrangida, pois era uma vergonha para a sociedade, mas Fernando Pessoa dizia apenas para a tia não se preocupar, pois ele não estava bêbado e as pessoas não tinham nada a ver com o que ele fazia.

 

E, na realidade, não se preocupava mesmo. Muito pelo contrário, parecia apreciar e gozar com a situação.

 

Era comum Fernando Pessoa, enquanto se encontrava a trabalhar, muito provavelmente a escrever à máquina, levantar-se, pegar no chapéu, ajeitar os óculos e ir até ao “Abel”. Esta simples acção de Pessoa, que se tornou um hábito, intrigou um colega de trabalho do poeta, Luiz Pedro Moitinho de Almeida (segundo Fernando Pessoa - Empregado de Escritório, do João Rui de Sousa). Esse mesmo colega apercebeu-se, algum tempo depois, que as idas ao “Abel” eram, nada mais, nada menos, que uma ida ao depósito mais próximo da casa Abel Pereira da Fonseca para tomar um cálice de aguardente. Certo dia, foram tantas as idas ao “Abel”, que Luiz de Almeida, aquando do retorno de Fernando Pessoa ao escritório, disse-lhe: “Você aguenta como uma esponja!”. Ao qual o poeta respondeu, com o seu sentido de humor: “Como uma esponja? Como uma loja de esponjas, com armazém anexo”.

 

Alcoólico ou não, o certo é que estudos à caligrafia de Pessoa não mostram quaisquer tipos de tremuras, ou outros sinais característicos do efeito de álcool ou outras substâncias. Embora tenha morrido de uma doença hepática, aos 47 anos, a verdade é que Fernando Pessoa conservou sempre as suas faculdades mentais, vivendo e morrendo mais lúcido que nunca. No entando, lúcido ou não, o poeta manteve sempre as suas excentricidades.

 

Tal não era a sua indiferença a quase tudo que, certo dia, Montalvor confrontou-o e disse-lhe: “Ó Fernando, é um crime você continuar ignorado!”. Dito isto, Fernando Pessoa respondeu, nem mais nem menos que: “Deixem estar, que, quando eu morrer, ficam cá caixotes cheios”. E assim foi. De facto, Pessoa deixou bastantes caixotes cheios que continham obras e ensaios de toda a espécie!

 
Pessoa multifacetado

Fernando Pessoa era uma pessoa bastante eclética, com conhecimentos de diversas áreas. Além de poeta, era, também, um dramaturgo, ficcionista, pensador, crítico, ocultista, esotérico, e astrólogo.

 

A título de curiosidade, Fernando Pessoa foi o responsável pela introdução do planeta Plutão, descoberto em 1930, nas cartas astrológicas. Os seus estudos de astrologia permitiram-lhe, também, fazer algumas previsões sobre o futuro literário e político da sua pátria. Dessas, destaca-se a previsão acertada da Revolução dos Cravos, que se deu quatro décadas após a sua morte.

 

Esta profunda atracção pela astrologia e cabala está demonstrada nas inúmeras cartas astrais que o poeta elaborou ao longo da sua vida. Chegou, inclusive, a realizar uma para os seus três grandes heterónimos!

 

A sua excentricidade revela-se, também, no ocultismo e esoterismo de Pessoa. Sabe-se hoje que este nutria um interesse especial por Sociedades Secretas, destacando-se a Maçonaria, os Templários, e Rosa-Cruz. O poeta afirma mesmo na sua nota biográfica ter sido “Iniciado, por comunicação directa de Mestre a Discípulo, nos três graus menores da (aparentemente extinta) Ordem Templária de Portugal.

 

Fernando Pessoa era assim. Era único. Mas, segundo ele, todos o éramos: "Não há normas. Todos os homens são excepção a uma regra que não existe".

 

Grande parte dos episódios relatados nesta reportagem foram-nos gentilmente fornecidos por Inês Leitão, da Casa de Fernando Pessoa.

Data de acesso: 23 de Fevereiro de 2007, 18 horas.

Um grande obrigado!

Outras Fontes:

publicado por H-Rally às 22:38
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Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2007

Entrevista a Fernando Pessoa - O Vídeo

Parte 1



Parte 2



Esperemos que se tenham divertido tanto a visionar os vídeos, como nós nos divertimos a fazê-los.
publicado por H-Rally às 02:00
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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

Entrevista a Fernando Pessoa - O Texto

Tal como nos é solicitado para esta segunda semana do concurso Sapo Challenge II, apresentamos, neste blog, uma entrevista a Fernando Pessoa.

Como sabem, o poeta em questão já não se encontra entre nós, pelo que não nos foi possível entrevistá-lo em pessoa. Contudo, numa tentativa de tornar as respostas o mais real possível, usámos, essencialmente, citações do próprio autor.

Esperemos que esteja do vosso agrado, e que satisfaçam a vossa curiosidade sobre alguns aspectos (menos conhecidos) da vida do autor.

 

 

Pivô - Será que existe vida em Marte? Haverá petróleo debaixo das Berlengas?  Porque é que as agulhas para injecções letais dos condenados à morte são esterilizadas? Sinceramente não sei. Mas também tenho dúvidas sobre a vida de Fernando Pessoa que me perseguem constantemente e acredito que você também as tenha, caro telespectador.  Por isso, vamos desde já fazer uma ligação aos “Estúdios do Passado” para falar com o próprio Pessoa. Pessoa, consegue ouvir-me?

Pessoa - Sim, sim. Uma boa noite a todos.

Pivô - Penso que há uma questão essencial, que todos nós precisamos de ver revelada. Tem amigos, Pessoa?

Pessoa - “Não tenho ninguém em quem confiar. A minha família não entende nada. Não tenho realmente verdadeiros amigos íntimos, e mesmo aqueles a quem posso dar esse nome, no sentido em que geralmente se emprega essa palavra, não são íntimos no sentido em que eu entendo a intimidade. Um amigo íntimo é um dos meus ideais, um dos meus sonhos quotidianos, embora esteja certo de que nunca chegarei a ter um verdadeiro amigo íntimo.”

Pivô - E relações sexuais?

Pessoa - “Acabemos com isto. Amantes ou namoradas é coisa que eu não tenho; e é outro dos meus ideais, embora só encontre, por mais que procure, no íntimo desse ideal, vacuidade, e nada mais.”

Pivô - Apesar deste tipo de circunstâncias extremamente intricadas, de árdua e penosa resolução - não querendo eu com isto pôr em causa todo o vasto conhecimento e aprazível nível cultural que Pessoa dispõe, claro - podemos dizer que Pessoa é feliz?

Pessoa - Desculpe, não ouvi.

Pivô - É feliz?

Pessoa - “Triste de quem é feliz! Vive porque a vida dura.”

Pivô - Hmm, portanto não vai gozar a vida, é isso?

Pessoa - “Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo. Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha. Vive-nos a vida, não nós a vida. Viver não é necessário; necessário é criar.”

Pivô - E o que acha da vida de hoje em dia?

Pessoa - “A vida moderna é um ócio agitado. O antigo artesão tinha de trabalhar; o actual operário tem de fazer uma máquina trabalhar. Movemo-nos muito rapidamente de um ponto onde nada está sendo feito para outro ponto onde não há nada a fazer, e chamamos isto a pressa febril da vida moderna. Não é a febre da pressa, mas pressa da febre.”

Pivô - A que se deveu a criação dos seus heterónimos?

Pessoa - E preciso mesmo de usar este microfone? É que já me está a incomodar.

Pivô - Sim…E os heterónimos?

Pessoa - “Com uma tal falta de literatura, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou, quando menos, os seus companheiros de espírito? Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas. Por qualquer motivo temperamental, construí dentro de mim várias personagens distintas entre si e de mim, personagens essas a que atribuí poemas vários que não são como eu, nos meus sentimentos e ideias, os escreveria.”

Pivô - E para terminar Pessoa, vamos lá ao cliché. O que pensa fazer de ora em diante?

Pessoa - “Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.” Mas por agora sinto-me triunfal, acho que vou escrever um poema em cima da cómoda a seguir.

Pivô - Pois…Obrigado por tudo Pessoa, até uma próxima.

Pessoa - De nada, sempre às ordens.

 


O nosso trabalho não fica por aqui! Mantenham-se atentos, pois em breve publicaremos esta entrevista de uma forma mais original (assim pensamos) e divertida (esperamos!).


Fonte: LIMA, alessandro. Uma pessoa mística. Acedido em: 18, Fevereiro, 2007. KPlus: http://kplus.cosmo.com.br/materia.asp?co=112&rv=Literatura

publicado por H-Rally às 14:35
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