Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007

Os nossos poemas - Fernando Pessoa

Estrelas do meu ser
neste corpo nublado.
Anseio por te ver,
noite de céu pintado.

Sou um todo que sou eu,
Estrangeiro é o que sou.
Nada sou que seja meu,
eterna alma que mudou.

Estranho o coração,
que meu não pode ser.
Evita a emoção,
com medo de sofrer.

Vive com uma tal calma,
Sem alegria ou tristeza.
Somente tem na sua alma,
o Fado como certeza.

Contempla, o meu olhar,
a sua imensa beleza.
Desfruta sem pensar,
da simples natureza.
Ama as aves a cantar
doce e melodicamente,
e o cabelo a ondular
ao som duma brisa quente.

Ferve-me na razão,
um tédio de viver.
Nada almeja senão,
pelo ópio esquecer.

Invade-me o pensamento,
uma estranha morbidez.
O futuro é sentimento
e a máquina viuvez.

O que serei eu então,
numa noite iluminada?
Que estrelas brilharão,
nesta alma sempre alterada?


                        H-Rally



Para uma melhor compreensão deste poema apresentamos, em baixo, uma pequena explicação.

À primeira vista, podemos afirmar que este poema não tem características exclusívas de Fernando Pessoa ortónimo, uma vez que estão descritas temáticas dos três grandes heterónimos do poeta.

Note-se que, nas duas primeiras estrofes, está presente a temática do Eu fragmentado, de ortónimo. É precisamente essa multiplicidade que conduz o resto do poema. Nele, o sujeito poético associa uma parte do seu corpo a cada um dos heterónimos (Coração a Ricardo Reis; Olhar a Alberto Caeiro; e Pensar a Álvaro de Campos).

De uma forma geral, o poema pretende mostrar a multiplicidade do Eu, que eternamente acompanha a poesia de ortónimo. Ao atribuír partes de si próprio aos heterónimos, o sujeito poético demonstra toda a influência que estes exerciam em Fernando Pessoa.
publicado por H-Rally às 00:30
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